Cara Gente Branca - Crítica


            São tempos de debates acalorados sobre igualdade, preconceito, direitos humanos, e a Netflix não é boba nem nada, resolveu tocou em todas as feridas possíveis, em suas recentes produções, abordar temas com clara pretensão de causar a conversa e o debate em um mundo cada vez mais conectado as redes sócias, se mostra um acerto do canal de streaming, ainda mais quando utiliza-se muito bem de temáticas socialmente relevantes, para causar ainda mais impacto perante ao seu público, é nessa onda falar sobre que chegou na última sexta-feira Dear White People (Cara Gente Branca).
            A serie baseado em um filme de 2014, roteirizado e dirigido por Justin Simien, que também é o responsável pelo roteiro da série e por dirigir apenas o primeiro episódio de uma produção que desde de os primeiros segundos mostra que vai falar sobre racismo de uma forma diferente, a série encontra o seu lugar em meio a tantas séries originas da Netflix, ao esclarecer que não existe o certo e o errado, existe várias camadas dentro de uma sociedade preconceituosa, ao longo de seus dez episódios a série tenta aprofundas as relações que foram mostradas no longa-metragem, acompanhamos então a trajetória de alguns alunos negros de uma das mais importantes faculdades americanas a Ivy League College, e retrata como esses personagens lidam com o racismo no campus da universidade, principalmente após acontecer uma festa de Halloween, onde os alunos brancos se vestiram como negros reproduzindo a velha e vergonhosa prática do “Black Face”.
            Claro que a questão racial é o centro das atenções na série, mas sabendo que nenhum tema se sustenta sozinho, o roteiro nos apresenta algo diferente, logo no inicio um narrado (Voz de Giancarlo Esposito) comenta o que será visto na série de maneira irônica e bastante sarcástica, definindo assim o estilo e objetivos de Dear White People, um série de apelo social ideológico relevante, com forte apelo cômico sem que isso tire a importância de cada fala do seu elenco, pois o humor autoconsciente que a série utiliza é certeiro para suas pretensões, claro que fazendo essa escolha ela comete alguns deslizes ao longo do percurso como quer falar de muita coisa em pouco tempo, e ainda achando a dosagem certa de humor sem esquecer de avançar o seu desenvolvimento narrativo, as vezes faz isso de maneira entroncada, mas na maioria das vezes bastante consciente e contundente.
            Os rumos narrativos dessa série são comandados por cinco figuras Samanta White (Logan Browning), Lionel (DeRon Horton), Coco Conners (Antoine Robertson), Troy Fairbanks (Brandon P. Bell) e Reggie Green (Marque Richardson), a decisão de dar a cada uma dessas pessoas um episódio solo, e um ponto de vista do que está acontecendo ao seu redor, é arriscado pois deixa a sensação de divisão de protagonismo, essa opção faz com que a série pelo menos até a metade, tenha uma falta de sintonia com o produto todo, pois alguns perfis apresentados são mais interessantes de serem acompanhados, e cria uma certa curiosidade no espectador que acabara criando empatia entre uma personalidade a outra dependendo do episódio, a sensação que a série não anda pra frente e que fica rodando em seu tema principal cansa quem for assistir todos os episódios de uma vez, essa sensação somente é contornada no quinto episódio e melhor episódio da série dirigido por Barry Jenkins (Ganhador do Oscar por Moonlight) onde um fato ocorre e faz com que todos caiam na real da verdade secreta de uma sociedade que julga à primeira vista, deixa muito claro desigualdade racial dentro da instituição de ensino, em seu programa de segurança do campus, e o quanto ver uma arma apontada para a cara de um rapaz negro inocente, deixa uma sensação de vazio dentro de você.
            Cara Gente Branca ou Dear White People, pode se dizer o ápice de um debate onde cada olhar reflete a sua própria verdade, a disparidade de tratamento entre as pessoas por julgamentos inconsequentes sem ao menos conhecer ou se mesmo se permitir conhecer o outro, ao longe pode ser somente mais uma série do vasto cardápio da  Netflix, mas a forma como a série trata as ramificações de pensamentos humanos dentro de uma sociedade em busca de um objetivo comum e como isso interfere no resultado positivo é brilhante, é uma obra consciente do problema e com discurso pronto em prol de uma causa justa a dignidade igualitária.


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