Um filme que perto de seu lançamento, após uma campanha de marketing intenso sobre o amor de seus donos e todas as transições de vida de um cachorro. Quatros Vidas de Um Cachorro chega cercado de notícias que provam que o vídeo foi forçado, e de expectativa para o espectador que assim como esse que vos escreve é apaixonado pelos seus Pets.
Filmes com animais em cena, são praticamente um gênero a parte, tendo vários clichês e muitas monótonas repetições, sempre doces e com um tom melodramático, esse tipo de filme arranca suspiros tanto pela fofuras, quanto pela relação de amor entre donos e animais. Esse filme não foge à regra, construindo uma linda amizade entre um cão e seus donos, ao longo de suas quatro vidas como o próprio filme entrega. Quatro vidas de um cachorro nos apresenta as várias vidas de um cachorrinho, e mostra como se cada final de vida ele retornasse numa nova raça e começasse tudo outra vez, mas sempre se lembrando de seu primeiro dono o jovem Ethan vivido muito bem pelo ator K.J. Apa.
Se você acha que a premissa é diferente, o longa dirigido por Lasse Hallstrom demonstra ter um grande consciência de onde quer chegar, nos entregando um filme leve, divertido, que por muitas vezes se entrega aos clichês, mas sempre tendo a consciência da sua simplicidade narrativa, não tentando em momento algum envolver o seu espectador através de momentos tristes, e emoções forçadas, o diretor escolhe nos contar a história pela perspectiva do animal, parecendo que o tempo todo estamos na mente dele, e ouvindo (no original em inglês na voz do sempre excelente Josh Gad) o que esse protagonista peludo de quatro patas comenta sobre os fatos e ocorridos ao seu redor. Esse recurso poderia resumir a produção a um filme de animais falantes, isso não ocorre pela forma concisa e inteligente como essas inserções narrativas feitas pelo diretor, os comentários além de conectar o espectador ao personagem que não pode falar também serve de alivio cômico, as respostas caninas ao mundo humano é sempre uma tirada leve que o espectador realmente acredita estar sendo dita por um cão.
Outro acerto interessante do filme é não cair na armadilha fácil de construí toda a sua trama em torno das mortes do cachorrinho, respeitando a atmosfera que cria, e fugindo dos erros de filmes anteriores, aqui o foco é nessas bonitas e complexas relações entre donos e animais. Assim o filme vai construindo essas relações firmes e afetivas, principalmente a primeira entre o cão e Ethan no interior dos EUA dos anos sessenta, essa primeira parte é construída com mais carinho pelo diretor que mostra a ligação de animal e dono desde a infância, passando pela juventude e beirando meados da vida adulta. Se comparada com as outras vidas apresentadas no filme essa é a que tem a maior duração, para que se sinta a relação afetuosa entre aqueles dois. Como um foi importante para o outro, estando presentes tanto nas brincadeiras quanto nos momentos mais difíceis, essa construção totalmente cautelosa faz com que aquele laço seja totalmente inesquecível e essa lembrança ficarão marcadas nas demais vidas tanto para o cão narrador quanto para o público.
Em alguns momentos o filme cai em certos furos de roteiro, e deslizes da direção, como por exemplo a câmera passeando pelos porta-retratos do policias mostrando ele acompanhado de uma mulher enquanto o cão diz que ele se sente sozinho, ou o problemas com bebidas do pai de Ethan que parece apenas um tema série sendo jogado na trama, mas sem gerar nenhuma discussão ou conflito para a produção, algo que fica um pouco fora de contexto da narrativa, e se além disso o humor em alguns momentos possa parecer fugir do contexto restante, Quatro Vidas de Um Cachorro é um filme com um proposito claro ser um filme leve para toda a família, divertir e de ser emocionante sem ser extremamente apelativo.
Aos críticos de filme com animais, podem se acalmar, o filme consegue ser construir uma trama que pega pelo afeto, ao construir muito bem, e honrar com franqueza o amor de seres humanos e animais, e quão for esse amor pode ser, agrada pela leveza, mas principalmente encanta pela simplicidade. Se a relação de amor, afeto e carinho entre um dono e seu animal de estimação parece ser encantadora e carinhosa, resta a nós levarmos lencinhos para nos precavermos, pois, algumas cenas são muito emocionantes.

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