Uma Aventura Lego surgiu em 2004 como uma animação, que tinha como mote principal rir de si mesmo, o do que havia sido criado para si como desenvolvimento de personagens, juntando um humor ágil, irônico e muitas vezes debochado com um desenvolvimento de universo muito inventivo que joga justamente com o ato de brincar de lego, o longo angariou mais de U$450 milhões de dólares, conquistando fãs e críticos, tanto criatividade trazia alguns prazeres muito agradáveis e até mesmo surpreendentes, como a figura pitoresca do Batman, que devido ao sucesso ganha seu filme solo.
Lego Batman: O Filme é uma produção coma capacidade incrível e igual de seu antecessor de rir de si mesmo e de seu cânone, com uma trama que facilmente irritaria os fãs mais fanáticos pelo cavaleiro das trevas, em uma era onde a guerra entre Marvel e Dc é declarada entre fãs nas redes sociais, brincar com a figura daquele que possa ser seu herói mais popular e mais querido do público, levantando assim a possibilidade de piadas com a sua figura e com os seus defeitos, até mesmo o problemas de filmes anteriores do universo são levantados, deixando o filme leve, interessante, conseguindo usar muito bem suas ironias como um trunfo, e a perfeição com que é realizado conquista os mais fanáticos pelo Batman e suas origens.
A direção de Chris Mckay, diretor com um curriculum interessante como a série Frango Robô, foi lá que ele começou utilizando dessa ironia, sarcástica utilizando figuras famosas e queridas do público. No entanto a trama do filme não se banaliza apenas em ser uma sátira do Batman e suas origens, pois só isso não conseguiria segurar o longa durante toda a sua duração, é um filme que consegue falar com o seu público perfeitamente, conseguindo envolver o espectador com a sua narrativa leve, não é a piada pela piada, mas sim o humor que está a serviço de uma história.
O longa inicia com um monologo do Batman comentando sobre os filmes de super-heróis, mas principalmente os filmes de super-heróis da DC dando o recado de qual será o tom do longa, o filme na sequência a seguir mostra uma cena em quem mais uma vez o cavaleiro das trevas salva Gotham de um ataque do Coringa, em um momento que poderia ser utilizado com embate final de qualquer filme de super-heróis, bem melhor do que a cena de luta final em BvS, mas é importante esclarecer o filme não permite que levemos ele a sério em momento algum, o tom irônico e satírico está presente a todo momento, porém é elogiável como a construção das sequencias são realizadas de forma idêntica ao dos grandes blockbusters.
O roteiro do filme escolhe mostrar um Batman menos sisudo do que o que nos acostumamos nos últimos filmes do homem-morcego, a trama escolha focar em uma investigação irônica da figura do super-herói, mostra a dificuldade do protagonista em se relacionar com outros personagens, além do mordomo Alfred, conseguindo assim desconstruir aquele duro personagem apresentado nas ultimas produções, aliás é esse medo do personagem em se relacionar é o que move o filme e suas piadas, o arco do protagonista em todas as sequencias da animação segue esse tema de forma divertida e irônica.
No melhor sentido da palavra Lego Batman é uma ridicularização de seu protagonista e é como se o espectador risse de um amigo, tirando sarro de seus erros e acertos. Os trocadilhos usando Bat como batcaverna, batcarro, batuniforme, batavião, são hilários e funcionam na trama, reutilizar as interjeições de quadrinhos como “bang”, “pow”, e etc dá uma sensação de homenagem o material base para criação dos personagens, e ao mesmo tempo de brincadeira com algo que se sabe que ao mesmo tempo que faz parte da história do homem morcego, também não pode-se negar se lado ridículo. O longa fica ainda mais divertido quando essa ironia ultrapassa a figura do Batman mas atinge tudo o que foi realizado pela Warner, sem medo de tocar em feridas, apenas ridicularizando alguns momentos marcantes daquele icônicos filmes, por exemplo, quando Batman diz: “você quer que os vilões nos ajudem? ” “Parece uma péssima ideia unir um momento de bandido para derrotar um cara do mal”, numa alusão clara a Esquadrão Suicida.
Lego Batman: O Filme, consegue levar a sua história a beirar o absurdo como juntas ao Coringa, outros icônicos vilões da Warner Bros como Voldemort, mas funciona e fica crível nessa produção, nessa franquia de filmes Lego tudo parece uma grande brincadeira de monta e desmonta e ver o que surge daquele monte de peças soltas, mas não fica preso a brincadeira, se usa como ironia, um filme que se propõe em divertir com muito humor e consegue isso com uma competência poucas vezes vistas.

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