O Exorcista


A princípio quando O Exorcista a série foi idealizada por seus produtores, ela serviria como uma peça chave para expandir um universo de sucesso originado pelo filme homônimo de 1973. Para quem é apaixonado pelo filme do início da década de 70 que revolucionou o gênero de terror e deixou você noites sem dormir, ouvir que uma série de televisão seria produzida dentro deste universo soou como mais uma forma dos estúdios de Hollywood fazerem dinheiro e destruir suas lembranças.
Apesar de ter uma conta negativa pra tirar o seriado produzido pela FOX americana não é de todo ruim, tem momentos decentes, alguns desagradáveis e um terror possível pra televisão, os produtores da série se basearam no romance de William Peter Blatty, e em dez episódios eles nos mostravam o universo televisivo de possessão demoníaca que eles estavam tentando desenvolver, a mitologia do livro de Blatty é explorada muito bem e com muito respeito por parte dos profissionais envolvidos, novas adições a história, com personagens interessantes e colocados de forma inteligente e competente. Sem dúvida O Exorcista é uma das boas estreias do último ano.
A trama é muito parecida com a do filme para com isso o fã mas nostálgica se sinta voltando a casa do filme de 73, aqui a família Rance que vive momentos muitos difíceis nos últimos tempos em diferentes aspectos, do marido que acabara de sofrer um acidente de trabalho a filha mais velha reclusa e revoltada com os pais, no meio de todo esse turbilhão de problemas ainda tem Casey (Hanna Casulka) que começa a apresentar traços de possessão. É ai que entra as melhores adições da série os padres Tomas (Alfonso Herrera) e Marcus ( Ben Daniels). Assim como na trama original o filme conta com um padre experiente (Daniels) e o outro seu pupilo (Herrera) aprendendo a usar os seus poderes de exorcista, a química dos dois atores é muito boa, a difícil convivência dos dois personagens é muito bem desenvolvida conforme a evolução dos episódios assim como os desafios diários que os dois tem de enfrentar.
Ao longo da temporada a serie mostra saber o que quer, e consegue mesclar bem as novas etapas da franquia com inúmeras referências ao clássico do terror da trama ao visual que lembra muito o original, mas se aproveita das novas tecnologias. Os produtores tiveram uma ótima sacada ao ligar a série ao filme original de maneira criativa e inteligente em um episódio que é muito bem dirigido, Geena Davis no início da trama muito inexpressiva quase não conseguíamos distinguir quando estava triste ou alegre, consegue ao longo da temporada crescer e mostrar todo seu talento nos últimos três episódios, Hanna Casulka consegue fazer muito bem o seu papel de menina aterrorizada pelas forças do mal, mas depois das protagonistas de James Wan em The Conjuring, poderia ter entregue mais, os grandes destaques da série porém são padres vividos por Herrera e Daniels que carregam a série nas costas com talento e muita inteligência cênica.

O terror imposto em O Exorcista não chega perto do visto no original, ainda assim se considerarmos que a televisão tem restrições impossíveis de serem transpostas, o trabalho da série é louvável. A violência está em cada um dos dez episódios e de formas diferentes, a forma escolhida pelos produtores para personificar a entidade possessiva foi muito inteligente, menos impactante quando do filme original, mas focada na ambientação, seguir nessa formula muitas vezes o episódio fugia do terror até por ser um gênero que é fácil de tornar cansativo e investe no suspense na tensão, o que acaba sendo bom pro desenvolvimento da historia mas decepciona os fãs mais apaixonados pelos gênero “jump seat” (pular da cadeira de medo), a produção que passa no canal FX no Brasil e já esta disponível na Netflix merece sua atenção por ser uma das poucas series da atualidade que consegue trabalhar tão bem uma franquia muito bem estabelecida em outros meios, com um elenco competente e uma história redonda, sem firulas ou invencionices , a primeira temporada do seriado é uma ótima opção para quem gosta de suspense com uma pitada de terror e gosta de fazer maratonas no finais de semana.


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