Critica: Passageiros


Passageiros é um filme que claramente tem um diretor com uma visão muito claro do que queria fazer e um departamento comercial que claramente não sabe o que é cinema, o filme tem um início promissor querendo ser algo novo, mas é quando o filme quer ser algo novo que entra o departamento comercial da Sony Pictures que já mostrou mais de uma vez que não sabe vender filme para público neutro.
Passageiros parte de uma premissa de ficção cientifica em que cinco mil pessoas escolhem viajar cem anos no espaço para povoar uma nova colônia da Terra, mas uma falha no sistema de hibernação desperta Jim Preston personagem vivido por Chris Pratt que até consegue entregar um bom trabalho até metade do filme, onde o roteirista e diretor tiveram poder em cima da produção interestelar, Jim nos é apresentado como um cara bacana, boa pinta, simpático, solitário por um ano e que tem como melhor amigo até então Arthur (Michael Sheen) que está com um trabalho corporal sensacional interpretando um robô, após um ano vivendo sozinho na nave espacial que por sinal é uma das melhores coisas do filme o design na nave é um dos mais bonitos de todos tempos no cinema, o personagem de Pratt começa a pensar em uma das passageiras em hibernação Aurora personagem vivida por Jennifer Lawrence que se mostra a cada dia mais bonita e talentosa, detalhe para a maquiagem e figurinos da personagem são realmente de outro planeta, e como eles poderiam se dar bem na solidão da nave, o filme nos apresenta um bom momento onde o personagem protagonista fica entre acordar uma passageira com isso colocando a vida dela em risco, pois eles acordariam nove anos antes do que deveriam ou deixa-la dormindo e viver sozinho até o máximo que o psicológico dele aguentar.
A superprodução do espaço podia muito bem ser algo diferente até mesmo um thriller de suspense no espaço, o que deixaria as coisas muito mais interessantes para o telespectador que o colocaria em uma atmosfera de vingança e ódio da personagem de Lawrence ao descobrir que o personagem de Pratt a acordará, mas não o filme claramente busca o lado comercial ao transforma-lo em uma comedia romântica no espaço com algumas cenas mais ossadas que não fazem sentido, o desenvolvimento do romance é acelerado demais, muito truncado, não fazendo o espectador se envolver na relação de “amor” dos protagonistas, mas o filme consegue ficar ainda pior com as cenas de ação são cansativas, mal gravadas, exageradas, claramente o diretor norueguês Moten Tyldum não estava confortável dirigindo-as, ele que já provendo seu talento em filmes menos como O Jogo da  Imitação, mas o erro cometido lá ele comete aqui também, onde ele tem um discurso muito maior do que a capacidade de articulá-lo em uma dramaturgia de folego, de fato, são produções inchadas demais pela falsa impressão de que têm muito a dizer quando na verdade nada chega a ser grandiosamente uma mensagem poderosa de filme.

Do jeito que chegou nas telonas para nós não apenas deixa de aproveitas seus protagonistas caríssimos por sinal, de carisma incomparável e com ótima química até a metade do filme, esvaziando seus arcos dramáticos e relegar a companhia de suas estrelas a meras peças de um filme comercial que pelo que parece o público não comprou, ao escolher se conformar com as soluções mais imediatas, ainda que o design de produção seja estonteante muito arrojado, é um filme de astronauta sem astronautas de verdade que planeja uma viajem ao desconhecido e nunca deixa de estar parado no mesmo lugar confortável e quentinho que muitos estúdios de cinema ficam na completa previsibilidade.


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